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Guest Post – Vencer os estágios difíceis da infância – reflexões necessárias! Por Roberta Pimentel

30 de janeiro de 2013 por no assunto Guest Post with 0 and 0
Olá leitoras,
Li este artigo da Roberta Pimentel no blog Aprendizagem Humana esta semana e gostei tanto que pedi a permissão da Roberta para colocá-lo aqui no Lambendo a Minha Cria. 
A Roberta é Mestra em Educação, Especialista em Psicopedagogia, Pós-Graduanda em Neuroeducação e Pedagoga. Sempre leio seus artigos e todos são bons. Este achei particularmente muito bom.
Espero que seja de grande ajuda para vocês, assim como foi para mim. Uma das maiores dificuldades que tenho com minha pequena Laura é fazer com que ela entenda o NÃO, e acredito que muitas mães tenham esta dificuldade na educação dos seus pequenos.
 
Roberta, obrigada por me deixar compartilhar suas palavras.
Michele
 
Olá pessoal, algumas pessoas que acompanham o blog também pelo facebook/aprendizagemhumana devem se lembrar da foto acima, foi há alguns dias atrás quando estava trabalhando as ideias do artigo de hoje. Assim vocês participam comigo desde o início do post (rsrsrsr). São muitas leituras e reflexões sempre com o intuito de trazer algo que seja o mais útil possível.
 
Aproveito esta pequena introdução para dizer que fiquei bem feliz ontem ao assistir o programa da Fátima Bernardes, pena que não consegui o link para postar para vocês, se conseguir depois, postarei com certeza. O tema foi sobre o NÃO e ouve muita reflexão sobre pais que dizem muitos nãos aos filhos ou que nunca dizem, enfim, não sei se alguém assistiu, mas achei que tem muita relação com o assunto de hoje no sentido de se encaixar como um dos temas dos estágios difíceis da infância. Foi bacana ouvir discussões que valorizaram bastante a postura firme dos pais diante dos filhos.
 

 
Sobreviver da melhor forma possível aos estágios difíceis da infância é um sonho de muitos pais e requer aptidões sólidas. Não basta, por exemplo, ter dom, é necessário bem mais que isso! Por mais que queiramos o melhor para os nossos filhos e que nos esforcemos, é preciso constantemente muitas reflexões, retomadas de posicionamento, mudanças de comportamento e muita dedicação.
 
Ao longo da vida nos preparamos para enfrentar muitos desafios. Estudamos, nos dedicamos em cursos e leituras, porém, ainda que tenhamos inúmeros desafios complexos com trabalhos diversos e estudos, o maior deles, com certeza, é oferecer aos filhos a melhor educação possível. Contraditoriamente, é exatamente o ponto para o qual os pais menos se preparam!
 
Atualmente este cenário está começando a se modificar. Em décadas passadas as crianças frequentavam a escola mais tarde do que acontece hoje, os pais ficavam com os filhos em casa e passavam mais horas ao lado das crianças durante a primeira infância. De certa forma isto os ajudava a aprender na prática como agir da melhor maneira possível. Como o tempo com os filhos reduziu significativamente, as possibilidades de aprendizagem por meio do convívio também reduziram. Isso exige de todos nós, pais, esforços específicos com leituras, cursos e conversas com o intuito de troca de experiências.
 
O artigo de hoje, assim como vários que escrevi no último ano, insere-se nesta temática, ou seja, possui como objetivo central oferecer aos pais possíveis reflexões quanto a educação dos filhos no âmbito familiar. Espero oferecer bons subsídios com a escrita de hoje. Vamos lá?
 
Determinados objetivos dos pais em relação aos filhos, não mudam! Todos desejam ensinar valores, respeito, amor ao próximo, bons modos, estímulo pelos estudos, etc. O que conta significativamente é o MODO como cada família se dedica a tais objetivos. Alguns pais são mais teóricos, falam bastante, repetem oralmente os ensinamentos, mas, na prática, permitem coisas que nem eles mesmos concordam, no entanto, diante de alguns desafios, optam por recuar e se esquecem dos discursos que já fizeram. Isso não pode acontecer, regra é regra! O que os pais ensinam verbalmente precisa ser levado muito a sério no cotidiano.
 
Conhecem aquele ditado que diz: façam o que eu falo, mas não façam o que eu falo? Pois é, este ditado serve como exemplo para os discursos dos pais. Se vocês ensinam algo de forma oral, mas na prática abrem exceção, pronto, os filhos passam a apresentar dificuldade em seguir as regras, afinal, sempre vão desejar que a prática não seja como o discurso. Exemplo: se você ensina que é errado comer os aperitivos dos adultos, seja firme na hora do acontecimento. O que pode, pode, e o que não pode, realmente não pode. Nós não devemos agir de forma incoerente. O que dissermos uma vez, teremos que sustentar sempre, se quisermos filhos obedientes e educados.
 
Neste exemplo dos aperitivos há um fator bem interessante para refletirmos: não podemos cometer injustiças e exigir dos filhos comportamentos que sejam quase impossíveis de serem cumpridos. No caso dos aperitivos dos adultos, é preciso que seja entregue para as crianças alguma tigelinha ou pote, que seja o aperitivo delas e que entendam que assim que acabar o delas não poderão comer dos adultos. Dessa forma o combinado não fica injusto! Afinal, fica impossível para as crianças obedecerem se elas ficarem vendo os adultos beliscarem e elas não puderem chegar perto, certamente irão infringir a regra.
 
É um exemplo simples, mas de grande significado em muitas famílias. Pode até parecer uma coisa pequena, mas, creiam, é perfeito para exemplificar o que estou pretendendo hoje: os estágios difíceis da infância são lapidados a cada dia, a cada pequena circunstância, em cada detalhe da rotina. Crianças que se acostumam com regras, que conseguem ouvir e respeitar, tornam-se emocionalmente seguras e conseguem transferir os ensinamentos dos pais para o relacionamento deles com outros adultos. Quando os filhos são desobedientes com os pais, fazem o mesmo na escola, com seus professores e em outros meios sociais. É por isso que vale MUITO a pena ser bastante firme com os filhos, principalmente até cerce de 6 a 8 anos. Claro que com equilíbrio entre firmeza e amor, com muito carinho e respeito. Todo exagero leva à consequências negativas.
 
A Natércia Tiba, psicóloga, filha do conhecidíssimo autor Içami Tiba, escreveu no prefácio de um livro que “a maioria das características difíceis das crianças são problemas a serem resolvidos e não um traço de personalidade”.
 
Vocês não podem imaginar o quanto defendo esta ideia! Nas últimas palestras e assessorias que realizei levantei este alerta com firmeza, pois percebo que muitos adultos entendem as danadezas e teimosias das crianças como personalidades da criança. Eles dizem: “não sei o que fazer, é a personalidade do meu (minha) filho (a), não tenho como mudar isso, terei que entender e me adaptar”. Não é bem assim não! Esta questão precisa ser levada muito a sério.
 
Alguns filhos difíceis podem sim apresentar quadros que os pais desconhecem, como distúrbio de atenção ou desvio de personalidade, mas são casos mais raros, não é tão comum como muitos pais, professores e coordenadores pensam. Os comportamentos atualmente estão tão alterados que realmente fazem os adultos se confundirem. Uma grande culpada desta situação é a falta de limites e regras bem trabalhadas na primeira infância. Mais motivo ainda para os pais serem firmes, com equilíbrio entre educação bem regrada e amor, carinho e respeito, como disso anteriormente.
 
Duas palavras que podem ajudar muito os pais: firmeza e bondade (Amen, Daniel. 2005). Para sermos firmes não precisamos deixar a bondade de lado, ser firme não significa ser cruel, muito menos correr o risco dos filhos não gostarem de nós – como pensam muitos pais. Ao contrário, as regras bem dosadas, os limites bem trabalhados, só ajudam. As crianças sentem-se seguras, não apresentam insegurança sobre como agir, enfim, aprendem a levar uma vida equilibrada. Os filhos não deixam de gostar dos pais se eles forem bem firmes, acreditem nisto!
 
Criar os filhos de forma eficiente, exige de nós que coloquemos os limites e as regras no topo das prioridades, com firmeza e bondade, sempre. Ou seja, com muito diálogo, pois, para colocar em prática a firmeza em consonância com a bondade, o diálogo será um grande aliado.
 
Aqui está um fator totalmente determinante: o diálogo. Ouço vários pais se queixarem pelo fato de terem que repetir muitas vezes as regras e ensinamentos que já disseram outras vezes. Saibam que paciência neste quesito é fundamental. Não se cansem de repetir durante toda a primeira infância. Se seus (suas) filhos (as) possuem idade até cerca de 8 anos, podem se tranquilizar, a repetição realmente é necessária, não se cansem e não se estressem de repetir, faz parte do processo.
 
Até esta idade eles testam mesmo, perguntam e inventam perguntas, pois estão inconscientemente questionando o mundo, suas regras, valores e limites. Querem testar para ver até onde podem ir, querem desafiar, isso faz parte do bom desenvolvimento infantil e por isso não devemos nos frustrar. Temos que ter paciência e repetir as mesmas coisas, por várias vezes.
 
Conforme sentirmos que eles já interiorizaram os ensinamentos, podemos utilizar o argumento de devolver a pergunta: o que você acha filho (a)? Exemplo: isso pode ou não? Por quê? O que já falamos sobre isso? Enfim, quando pedimos que eles expliquem e que eles mesmos verbalizem as regras e façam explicações, ampliaremos as possibilidades de aprendizagem. Vale a pena devolver as perguntas das crianças com outras perguntas!
 
Gostaram por hoje? Para não esquecermos: firmeza, bondade, diálogo e novas perguntas! Vamos colocar em prática?
 
Se você tem escola, trabalha em uma escola ou com grupos de pais, ajude a divulgar este artigo, pode ter algum pai ou mãe no seu convívio social precisando muito deste tipo de reflexão.
 
Com carinho, Roberta.

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